Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
O duplo
Mão amiga - do meu "camarada" Donato que nestas coisas da informática e das novidades se encarrega de me as fazer chegar todas - enviou-me uma fotografia que é o exemplo de como dois figurões da política doméstica, que eu francamente pensava estarem em pólos opostos - sobretudo pelo que recordo da campanha eleitoral de Dezembro de 2005 e Janeiro de 2006... - afinal se confundem e quase que são uma personagem só, num milagre da transfiguração que coloca um Presidente na lamentável dependência quase total de um primeiro-ministro. Enquanto não acabarem com essa treta dos dois mandatos presidenciais de 5 anos cada um e não estabelecerem um mandato único de 7 anos, estas tretas vão continuar. A ambição do tacho...Já perceberam?
Primeiro foi a encenação com Bernardo Trindade por ocasião da BTL (confesso que não estava à espera que ele fosse cúmplice da mediocridade). "Sua Excelência" o "ouvidor do reino", alegado candidato a presidente do governo regional em 2008, deslocou-se a Lisboa, quem sabe se para trazer mais uns milhões para o sector hoteleiro local, que bem precisa. Depois foi com o ministro da agricultura, que Serrão, sua Excelência o "ouvidor do reino", surgiu a "paris" paleio no final do encontro, como se fosse ele o salvador deste pequeno reino de hipócritas e medíocres iluminados. Todos sabem que a União Europeia negocia directamente com os Estados-membros. Mas o que ninguém sabe é que os Estados, obviamente apenas os Estados sérios, preparam com as regiões, com os municípios, com as empresas, a estratégia reivindicativa que depois apresentará em Bruxelas. Serrão, sua excelência o "ouvidor do reino", esqueceu-se que já o Governo Regional e o seu Presidente tinham reconhecido, em devido tempo e quando foi o tempo próprio, que Freitas do Amaral teve um comportamento de defesa dos interesses da Madeira quando se tratou de negociar o agora chamado QREN (antes Quadro Comunitário de Apoio) para 2007 - 2013. Deixai-os ser felizes e sonhar.PCP
A montanha pariu um rato, ou melhor dizendo, o PCP pariu um rato. A "famosa" lista dos bandidos que andam a "chupar" o governo para terem casas ou terrenos sem que a isso tivessem direito, nunca chegarão. Pelos vistos já tinham garantindo ao PCP, em plenário da Assembleia, que nunca chegaria. Edgar Silva insistiu, berrou que se fartou, acabou por sair chamuscado no retrato. A credibilidade de um politico e de um partido, particularmente quando acusa, passa por saber (e poder) provar o que diz. Não foi o caso. Mas não tardarão novas conferências de imprensa, com novas acusações, comunicação social a reboque, sem que ninguém se preocupe saver se estamos perante encenações propositadamente feitas para as câmaras de televisão e os fotógrafos de jornal. A democracia devia poder reagir (e punir) a leviandade de quem mente.
O meu testemunho
Eu acho lamentável a partidarização das iniciativas que estão em curso da sociedade portuguesa por causa do referendo sobre a despenalização do aborto que se realiza a 11 de Fevereiro. Recuso tomar posição pública, respeitando obviamente quem o fizer. O que eu me interrogo é se não estamos perante uma estranha partidarização de uma questão demasiado séria, se não estamos perante mais um conflito entre partidos e entre políticos em vês de uma abordagem séria, livre, sem manipulações patéticas ou fundamentalismos excessivos, de um tema complexo, que diz respeito à mulher, à família e à sociedade enquanto entidade colectiva que se rege por regras próprias. Graças a Deus, tenho duas filhas de quem me orgulho e que tudo procurei fazer, e continuareio a fazer, para que nunca as envergonhar. Tenho uma mulher que foi e continua a ser, o meu suporte fundamental, e a quem muito devo. E que sei ter sido sempre e que continuará a ser sempre, até o final dos seus dias, um qualquer dia, o principal suporte, incondicional, das duas pequenas que há muitos anos, um qualquer dia de Maio e outro de Dezembro, “saíram de dentro dela”. Mas isso não me atrofia a mente, não me condiciona a liberdade de pensar, de olhar para as coisas tal como elas são, de sentir a realidade, de perceber factores váriosa que não podem ser escamoteados, o que nada tem a ver com o facto de pensar que se deve actuar com realismo e não de uma forma libertina. Aconteça o que acontecer a 11 de Fevereiro, não se trata de nenhuma guerra entre partidos. Estou-me nas tintas para todos os que levem para aí a questão. As “guerras” dos partidos são outras, que nada têm a ver com esta. O que a 11 de Fevereiro desejo é que as pessoas, votem pelo “sim” ou pelo “não”, saíam das assembleias de voto com a consciência tranquila, convictos de que não foram manipulados, que votaram de acordo com a sua consciência e a sua liberdade de pensar e decidir. Se o fizerem, seja qual for o resultado, cumpriram o dever de cidadania mas, mais do que isso, cumpriram mais uma obrigação consigo próprios. E isso basta-me para me sentir satisfeito, orgulho.Estranho
Eu ainda não consegui perceber porque motivo o Estatuto dos Jornalistas interessa tão à esquerda? Depois da Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas é a vez do Estatuto? O que é facto é que a proposta do Governo e os projectos de Lei do PCP e do BE para a revisão do Estatuto do Jornalista foram hoje aprovados na generalidade, seguindo para discussão na especialidade. O Sindicato dos Jornalistas apelou aos deputados, para votarem favoravelmente as três propostas, de modo a possibilitar um debate mais aprofundado sobre a revisão do estatuto profissional. A proposta de Lei do Governo foi aprovada com os votos favoráveis de PS, PCP, BE e PEV, o PSD votou contra e o CDS-PP absteve-se. Os projectos de lei do PCP e do BE foram ambos aprovados com os votos favoráveis dos partidos proponentes, do PS e do PEV, tendo a rejeição do PSD e do CDS-PP. As três propostas de revisão da Lei que seguem agora para apreciação na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias foram debatidas no Parlamento no passado dia 26 de Janeiro.Cada 30 segundos se produce un aborto en Europa
Bruselas, (Europa Press) - El Instituto de Política Familiar (IPF) presentó hoy en la Eurocámara el informe "Evolución de la Familia en Europa 2006", en el que se subraya que cada 30 segundos se produce un aborto en los Veinticinco, según una recopilación del IPF a partir de datos de la Oficina Estadística de la UE (Eurostat) y la Comisión de Naciones Unidas para Europa. Asimismo, destaca que España es el país donde más se ha incrementado el número de interrupciones del embarazo en los últimos 10 años. De acuerdo con el estudio, uno de cada seis embarazos (17,2%) que se producen en Europa termina en aborto. Francia (208.759), Reino Unido (195.483), Italia (133.000), Alemania (128.030) y España (79.788) son los cinco Estados miembros con más abortos, el 75% del total. El IPF recalca que España es el país donde más se ha incrementado el número de interrupciones del embarazo en los últimos 10 años, con un incremento del 75%, seguido de Bélgica (50%) y Holanda (45%). "Cada vez nacen menos niños y además se produce un millón de abortos que los convierten, junto al cáncer, en la principal causa de mortalidad en Europa", dijo Lola Velarde, presidenta de la Red Europea del Instituto de Política Familiar. El estudio recalca que Europa se está convirtiendo en un continente "viejo", en el que una de cada seis personas es mayor de 65 años. En los últimos Veinticinco años se han "perdido" más de 20 millones de jóvenes (menores de 14 años), y la población mayor de 65 años se ha incrementado en 17 millones, lo que ha provocado "un vuelco en la pirámide poblacional", según el IPF. España (con un 44% de disminución), Portugal (40%) e Italia (37%) son los países donde ha disminuido más el número de jóvenes. Italia es el país con menos jóvenes (el 14,2% de la población).La población de la UE creció en 14 millones de habitantes en el periodo 1994-2005, pero el informe recalca que más del 80% de este incremento ha sido por la imigración. Algunos Estados miembros se encuentran en situación de natalidad "crítica", especialmente Grecia (con un índice de fecundidad del 1,29), España (1,32) e Italia (1,34). "Sólo Francia, Reino Unido y Holanda tienen un crecimiento natural superior a su inmigración", apunta el texto. Las mujeres españolas son las que más tarde tienen los hijos (30,84 años), seguidas de las de Irlanda (30,6), Holanda (30,4) y Dinamarca (30,1 años). Por el contrario, es en los países de la ampliación donde las mujeres tienen los hijos más pronto, sobre todo en Lituania (27,1 años), Letonia (27,2), Eslovaquia (27,3) y Polonia (27,9). El estudio destaca que según las proyecciones de población, Europa alcanzará un máximo de habitantes en 2025 para iniciar a continuación un descenso. En contraste, Estados Unidos ha crecido cuatro veces más que la UE desde 1994. A este ritmo, en 2051 Estados Unidos y la UE tendrán la misma población, unos 448 millones de habitantes.
POLITICAS FAMILIARES
El IPF señala que de cada 13 euros que destina Europa a gastos sociales, 1 euro va a la familia. La media de gasto social entre los Veinticinco asciende al 28% del PIB, y a la familia se dirige el 2,2% del PIB. Además, hay grandes diferencias entre los Estados miembros, aunque "España es el país de la UE-15 que menos ayuda a la familia", apunta el informe. Una familia con dos hijos recibiría en Luxemburgo una prestación de 611 euros al mes; en Alemania, de 308 euros al mes; en Reino Unido, de 270 euros al mes; y en Austria, de 256 euros al mes. En cambio, el informe destaca que en España la ayuda sería de 49 euros al mes; en la República Checa, 38 euros al mes; y en Polonia, de 22 euros al mes, además sometida a "restricciones de renta". El presidente del IPF, Eduardo Hertfelder, criticó "la dejación de Europa hacia la familia", que se ha traducido, a su juicio, en no disponer de ningún comisario centrado en este tema, ni de un Observatorio de Familia, ni de un Libro Verde sobre la cuestión "a pesar de que desde 1994 se han realizado 95 Libros Verdes". El IPF reclama que la Comisión cree un 'Instituto para la Perspectiva de Familia' y que todos los Estados miembros también pongan en marcha ministerios específicos para promover y proteger a la familia en Europa. También pide que se elabore un Libro Verde que analice la 'problemática' de la familia y proponga soluciones. Otras propuestas incluidas en el informe pasan por promover un Pacto Europeo sobre la Familia; crear un Observatorio de la Familia, con participación social, que analice la evolución de la familia y la UE; y desarrollar campañas de sensibilización que revaloricen la infancia y la maternidad.
http://www.lukor.com/not-soc/cuestiones/portada/06050910.htm
Absurdos...
Há situações que, dispensando mais comentários, não deixam de constituir um absurdo que deveria fazer com que as pessoas mais inteligentes pensassem muito a sério sobre o que se passa neste país: Em 2006, o Banco Espírito Santo atingiu lucros recorde no valor de 420,7 milhões de euros, o que representa um crescimento de 50 por cento em relação a 2005, anunciou fonte da instituição”. Não se trata de saber se é o BES ou outro banco. Trata-se de considerar escandaloso o “mamanço” da banca comercial portuguesa, entregue a grupos económicos portugueses, que continuam a encher-se à custa da exploração de um povo cada vez mais teso. Depois podem andar a brincar às OPAS. Perante a passividade cúmplice de um governo socialista incompetente perante este encher à tripa-forra.Há coisas que nem à chapada
«Portugal é um país competitivo em termos de custos salariais. Os custos salariais são mais baixos do que a média dos países da UE e a pressão para a sua subida é muito menor do que nos países do alargamento». Adivinhem lá quem foi o “bronco" que se saiu - mais uma vez – com uma nova asneirada? Há coisas que nem à chapada de resolvem…
Alegre e Serrão
A reacção de Manuel Alegre às patéticas declarações do ministro Pinho na China democrática, fizeram-me lembrar o que se passa com Jacinto Serrão na Madeira, um "exemplo" de como se defende a Região com coerência, colocando-a acima dos interesses partidários ou egoísmos eleitoralistas.De facto, o deputado socialista Manuel Alegre afirmou que «a economia e os negócios não podem estar acima» dos direitos humanos ou sindicais, a propósito das declarações do ministro da Economia, Manuel Pinho, na China. «Quero deixar aqui muito claro, como democrata e como socialista, que a economia e os negócios, seja qual for o contexto, não podem estar acima dos direitos políticos, humanos, dos direitos sindicais e sociais», afirmou Manuel Alegre.
Brilhante...
Há tipos que nem vale a pena dar crédito. Dizem asneiradas com mais frequência que nós respiramos. Mais uma, agora em Pequim. Uma saída demonstrativa de como há tipos que nunca deveriam ter chegado a ministro. Mas é! LI num jornal português a reportagem que dispenso mais comentários:“O ministro Manuel Pinho apresentou ontem os baixos salários que se praticam em Portugal como um dos factores de atracção para o investimento chinês e, com essa ideia politicamente incorrecta, acabou por desviar as atenções, pelo menos da opinião pública portuguesa, dos importantes acordos assinados durante a passagem de José Sócrates por Pequim. O responsável pela pasta da Economia e Inovação fez aquela declaração perante quase 300 empresários chineses e portugueses, reunidos num fórum destinado a fomentar os contactos bilaterais. Embalado por um espírito francamente eufórico - chegou a comparar as largas e ainda algo inóspitas grandes avenidas de Pequim com a nova-iorquina e cosmopolita Madison Avenue, "só que mais modernas e bonitas"... - Manuel Pinho não se coibiu de integrar os "baixos custos salariais face à União Europeia" como factor de competitividade da nossa economia e, logo, de atracção do capital chinês. Em Pequim, talvez nem tenham reparado nisso - o boom económico da China depende, de resto, maioritariamente dos magros salários -, mas a frase deixa perplexos os portugueses, que têm como um dos seus objectivos prioritários a convergência com a União Europeia”.
Realmente há cada bloco de cimento?
Prioridades...
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou em Pequim, que uma das metas da presidência portuguesa da União Europeia será estabelecer um acordo entre a UE e a China, que permitam desbloquear questões como o do embargo da venda de armas àquele país. O chefe do Governo português, que falava em declarações aos jornalistas que acompanham a visita oficial à China, referiu-se à questão do respeito pelos direitos humanos pelo regime de Pequim salientando que a posição de Portugal “é a mesma da União Europeia - e a China sabe disso”.Curiosa estas prioridades de Sócrates. Agora virou “vendedor de armas” europeias aos chinos?
João Paulo II e o aborto
Eu recuso tomar partido numa questão que diz respeito à consciência de cada cidadão. Diz respeito à mulher, é certo, mas diz respeito à família e à sociedade. Se uma maneira geral diz respeito à convicção e à consciência de cada cidadão, homem ou mulher, jovem ou adulto, que serão chamados a pronunciar-se. Nunca escondi que tive uma admiração pelo Papa João Paulo II, independentemente de não concordar com ele nalgumas concepções mais radicalizadas. Mas reconheço que a Igreja em Portugal não tem outra posição se não a de combater, coerentemente o aborto. A instituição não pode ser criticada, porque actua, pronuncia-se, movimenta-se em função dos seus princípios, dos seus valores colectivos, da liturgia, do direito canónico instituído. Sem querer influenciar seja o que for, deixo-vos algumas ideias de João Paulo II, um homem que eu respeitarei até o último dos meus dias. Disso podem ter a certeza, chamem-se reaccionário ou o que quiserem: ·Dentre todos os crimes que o homem pode cometer contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente perverso e abominável.” (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 58)
·No caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o seu voto. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 73)
·Quando uma maioria parlamentar ou social decreta a legitimidade da eliminação, mesmo sob certas condições, da vida humana ainda não nascida, assume uma decisão tirânica contra o ser humano mais débil e indefeso. (cf João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 70)
· Não pode haver paz verdadeira sem respeito pela vida, especialmente se é inocente e indefesa como a da criança não nascida. (João Paulo II, Discurso ao Movimento Defesa da Vida, Italiano, 2002)
·A tolerância legal do aborto ou da eutanásia não pode, de modo algum, fazer apelo ao respeito pela consciência dos outros, precisamente porque a sociedade tem o direito e o dever de se defender contra os abusos que se possam verificar em nome da consciência e com o pretexto da liberdade. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 71)
·Reivindicar o direito ao aborto e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 20)
·É totalmente falsa e ilusória a comum defesa, que aliás justamente se faz, dos direitos humanos — como por exemplo o direito à saúde, à casa, ao trabalho, à família e à cultura, — se não se defende com a máxima energia o direito à vida, como primeiro e fontal direito, condição de todos os outros direitos da pessoa. (João Paulo II, Christifideles Laci, nº 38)
·Quando a lei, votada segundo as chamadas regras democráticas, permite o aborto, o ideal democrático, que só é tal verdadeiramente quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana, é atraiçoado nas suas próprias bases: Como é possível falar ainda de dignidade de toda a pessoa humana, quando se permite matar a mais débil e a mais inocente? Em nome de qual justiça se realiza a mais injusta das discriminações entre as pessoas, declarando algumas dignas de ser defendidas, enquanto a outras esta dignidade é negada? Deste modo e para descrédito das suas regras, a democracia caminha pela estrada de um substancial totalitarismo. O Estado deixa de ser a «casa comum», onde todos podem viver segundo princípios de substancial igualdade, e transforma-se num Estado tirano, que presume poder dispor da vida dos mais débeis e indefesos, como a criança ainda não nascida, em nome de uma utilidade pública que, na realidade, não é senão o interesse de alguns. (cf. João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 20)
· Matar o ser humano, no qual está presente a imagem de Deus, é pecado de particular gravidade. Só Deus é dono da vida! (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 55)
· A rejeição da vida do homem, nas suas diversas formas, é realmente uma rejeição de Cristo. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 104)
·No caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o seu voto. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 73)
·Quando uma maioria parlamentar ou social decreta a legitimidade da eliminação, mesmo sob certas condições, da vida humana ainda não nascida, assume uma decisão tirânica contra o ser humano mais débil e indefeso. (cf João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 70)
· Não pode haver paz verdadeira sem respeito pela vida, especialmente se é inocente e indefesa como a da criança não nascida. (João Paulo II, Discurso ao Movimento Defesa da Vida, Italiano, 2002)
·A tolerância legal do aborto ou da eutanásia não pode, de modo algum, fazer apelo ao respeito pela consciência dos outros, precisamente porque a sociedade tem o direito e o dever de se defender contra os abusos que se possam verificar em nome da consciência e com o pretexto da liberdade. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 71)
·Reivindicar o direito ao aborto e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 20)
·É totalmente falsa e ilusória a comum defesa, que aliás justamente se faz, dos direitos humanos — como por exemplo o direito à saúde, à casa, ao trabalho, à família e à cultura, — se não se defende com a máxima energia o direito à vida, como primeiro e fontal direito, condição de todos os outros direitos da pessoa. (João Paulo II, Christifideles Laci, nº 38)
·Quando a lei, votada segundo as chamadas regras democráticas, permite o aborto, o ideal democrático, que só é tal verdadeiramente quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana, é atraiçoado nas suas próprias bases: Como é possível falar ainda de dignidade de toda a pessoa humana, quando se permite matar a mais débil e a mais inocente? Em nome de qual justiça se realiza a mais injusta das discriminações entre as pessoas, declarando algumas dignas de ser defendidas, enquanto a outras esta dignidade é negada? Deste modo e para descrédito das suas regras, a democracia caminha pela estrada de um substancial totalitarismo. O Estado deixa de ser a «casa comum», onde todos podem viver segundo princípios de substancial igualdade, e transforma-se num Estado tirano, que presume poder dispor da vida dos mais débeis e indefesos, como a criança ainda não nascida, em nome de uma utilidade pública que, na realidade, não é senão o interesse de alguns. (cf. João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 20)
· Matar o ser humano, no qual está presente a imagem de Deus, é pecado de particular gravidade. Só Deus é dono da vida! (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 55)
· A rejeição da vida do homem, nas suas diversas formas, é realmente uma rejeição de Cristo. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 104)
Gamanços?
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
CALRE
Udine, 29 de Janeiro – Pensei que ia “aquecer” a reunião da Comissão Permanente da CALRE, realizada em Udine. Tudo por causa da fiscalidade. Felizmente tudo se resolveu. A Madeira (Miguel Mendonça) interveio duas vezes, e em ambas as suas propostas foram aceites pelos demais presentes.O calendário ficou estabelecido:
·5 e 6 de Junho em Sardenha, reunião com os Presidentes dos Parlamentos regionais e nacionais dos países do mediterrâneo, havendo a esperança de juntar árabes, israelitas e europeus à mesma mesa;
·15 e 16 de Julho nas ilhas Aland, na Finlândia, uma região autónoma insular com um PIB superior a 120% da média comunitária e que faz questão de receber a Comissão Permanente. A Presidente da Assembleia local lá foi avisando, na reunião de Udine (onde à noite a temperatura ronda os 1 a 4 graus negativos...) que naquela altura do ano na Aland praticamente não há noite!
·18 e 19 de Setembro – reunião da Comissão Permanente em Estugarda, região cujo parlamento é presidido por Peter Straub, antigo Presidente do Comité das Regiões e actual Presidente da CALRE;
·30 e 31 de Outubro – reunião plenária da CALRE, em Berlim, com representantes de mais de 80 regiões e para a qual será convidada a chefe do governo alemão, Ângela Merkel.
Entretanto Miguel Mendonça foi convidado por Straub a visitar oficialmente a região de Baden-Wuttemberg, cuja capital é Estugarda, deslocação que deverá acontecer antes de Maio. Também o Presidente do Parlamento Da Catalunha, releeito para o cargo, será convidado a deslocar-se à Madeira para fazer uma conferência, aberta ao público, dedicada às peripécias em torno da recente revisão do Estatuto da Catalunha e ao futuro da autonomia nesta região. Miguel Mendonça reuniu-se com Ernet Benach.
Na reunião de hoje a região de Veneto (Veneza) foi encarregue, por proposta de Mendonça, de coordenar um trabalho exaustivo de descrição da realidade em cada região em matéria de fiscalidade e de relações financeiras entre o Estrado e as Regiões. Um assunto que, subitamente, passou para a primeira linha das preocupações e ainda por cima trazido pelos alemães...
Neste contexto chegou a haver a perspectiva de uma conflitualidade de iniciativas, tudo por causa do debate sobre a fiscalidade nas regiões europeias, já que Ricardo Nancini (Toscânia, Florença), pretendia promover um Forum alargado às regiões sem competências legislativas e aos municípios. Antes da reunião plenária de Berlim onde esta matéria estará em destaque. Por proposta da Madeira uma primeira abordagem será feita na reunião da CP nas ilhas Aland, seguindo-se a reunião de Berlim. Só depois disso deverá ter lugar o tal plenário, embora alguns dos presentes questionassem a lógica de alargamento da discussão desta matéria às regiões europeias sem competências legislativas próprias.
Compras e vendas
Udine, 29 Janeiro – Há dias o Presidente da Assembleia retomou uma iniciativa realizada há alguns anos, de manter contactos regulares com os jornalistas “parlamentares”, entendidos como aqueles que mais regularmente acompanham, a actividade parlamentar. Foi um convívio interessante, desinteressado de ambas as partes, durante o qual foi referido por Miguel Mendonça que não se tratava de querer “comprar” jornalistas (eles são “vendáveis”?) ou de suavizar as críticas recentes, até porque os jornalistas terão as suas razões e a Assembleia Legislativa as suas. Nada obriga a que haja cedências das duas partes ou que ambas pensem da mesma maneira. Uma coisa é certa: não percebo certas insinuações entretanto surgidas num jornal, indiciando que Miguel Mendonça tomou aquela iniciativa para “comprar” jornalistas. Já agora, será que os profissionais da comunicação social regionais sabem – não sabem porque não foi noticiado – que Miguel Mendonça antes disso recebeu a delegação do Sindicato dos Jornalistas, a pedido desta, para discutir várias questões relacionadas com a actividade profissional e que foi durante esse encontro que MM decidiu retomar os referidos jantares? Eu recuso comentários opinativos. Mas confesso que não entendo a deturpação dos factos.Porto Santo
Udine, 29 Janeiro – Confesso-vos que tenho tido a preocupação, nesta curtíssima passagem por estas bandas, em reparar se as agências de viagens locais estão a vender ou não o Porto Santo (alegadamente na moda de alguns operadores italianos). Em várias dessas agências não vi nenhuma referência destacada ao Porto Santo – nesta altura do ano os italianos parece que preferem outros destinos – mas posso garantir que nas estantes de exposiçãode catálogos promocionais, em posição de destaque, ao lado da referente a “Portogallo” lá está o Porto Santo. Da Madeira, nada em nenhuma delas. Sintomático...Falida
Udine, 29 de Janeiro - Sistematicamente fala-se na situação financeira da TAP, ora falida, ora a caminho disso, ora nem tanto. Para que se tenha a noção do que se passa por outras bandas, bastaria referir que a Alitália, companheira de bandeira italiana, perde 1 milhão de euros por dia (!) e que existem quatro grupos interessados na sua privatização, já que 49,9% do capital da empresa continua na posse do Estado (Ministério da Economia). A empresa tem 177 aviões (26 de longo curso), efectua 98 rotas (25 na Itália) e emprega mais de 20.500 pessoas incluindo serviços em terra, empresas subsidiárias, etc. Portanto, é caso para dizer que, ou “é do malho do malhadeiro”...
Domingo, Janeiro 28, 2007
Berlusconi
Udine, 28 Jan – A força de Berlusconi mede-se também nas sondagens. A última não deve ter deixado o chefe do governo italiano, Romano Prodi dormir bem. Foi uma sondagem exclusiva do jornal “Il Tempo” segundo a qual o centro- esquerda perde em média 9 mil eleitores por dia, encontrando-se hoje com menos 6,3% enquanto que o centro-direita subiu 6.2%. Dirão, e bem, que sondagens valem o que valem, Mas em Itália cresce a insatisfação popular por causa das medidas tomadas pelo governo. Por isso os resultados não são de estranhar. Curiosidades desta sondagem: a Forza Italia que em Abril de 2006 teve 23,7% teria hoje 30%, a Alianza Nazionale de Finni sobe de 12,3 para 13,8%, a Liga Norte de 4,6 para 5%. O partido “Ulivo” (coligação que apoiou Prodi) desceria de 31,3 para 25,4%. Foram ouvidas 2.004 pessoas, no dia 24 de Janeiro, das 18.30 às 21.20 horas, por entrevista telefónica. Por mim, trata-se apenas de uma curiosidade, porque c coerentemente penso o que penso das sondagens, o que penso, esteja na Madeira ou fora dela.Sucessão
Udine, 28 Jan – A notícia do dia, desde que aqui cheguei, relaciona-se com Berlusconi. O antigo primeiro-ministro e líder da Forza Itália, que há uns meses atrás sentiu-se mel durante um discurso aos jovens membros do partido, anunciou a intenção de preparar a sucessão, tendo avançado com o nome do político que ele prefere ver no topo da Forza. Trata-se de Gianfranco Finni, natural de Bolonha. O debate e a polémica estão abertos em Itália, particularmente no imenso universo politico e eleitoral apoiante da Forza.Beldade
Udine, 28 Jan – Lembram-se daquela beldade italiana da política, família de Mussolini e hoje deputada de um movimento de extrema-direita, Alexandra Mussolini? Pois bem a rapariga não para. Ficamos a saber pela imprensa italiana que a senhora se prepara para concorrer a um cargo no âmbito autárquico de Verona.Miramare
Trieste, 27 Jan – O programa da deslocação a esta região de Itália, no âmbito da reunião da Comissão Permanente da CALRE, incluiu uma visita ao Castelo Miramare, junto ao golfo de Trieste, em pleno mar Adriático. Uma obra extraordinária, transformada em museu, que foi construído por Maximiano, que viria a ser morto no México, depois de ter aceite a coroa imperial deste país. O castelo foi ocupado durante a guerra pelos alemães e depois pelas tropas aliadas vencedoras. Antes de se transformar em museu, foi ocupado por uma família durante 7 anos, gente ligada à aviação. Uma visita interessante, confesso. Garantem que os quartos, de Maximiano e da sua mulher Carlota, foram mantidos integralmente. Até uma pequena mesa oferecida pelo Papa Pio IX na qual Maximiano assinou o documento aceitando a coroa mexicana que lhe foi “oferecida” por uma delegação que viajou do México a Miramare.Transportes
Udine, 28 Jan – Nos primeiros dez meses de 2006, os aeroportos italianos movimentaram mais de 106 milhões de pessoas (!), mais 8,8% que em igual período do ano anterior. Roma com 30 milhões (dois aeroportos) tem vantagem sobre os demais, particularmente Milão com 27 milhões de passageiros (2 aeroportos). Trieste, onde me encontrou, ficou-se pelos mais de 570 mil passageiros, mais 3,7%. Quanto às ilhas – que nos interessaram comparativamente – Cagliari (Sardenha) e Palermo (Sicília), movimentaram respectivamente, 2,1 e 3,7 milhões, mais 6,6% e 11%. Mas na ilha da Sicília referência ao aeroporto de Catânia com 4,7 milhões, mais 4,5%, que superou o da capital da ilha. Já agora, alguns dados curiosos de companhias aéreas italianas, a de bandeira e as ”low cost” nos primeiros dez meses de 2006, e numa altura em que se reforçam as preocupações com os transportes aéreos para a Madeira, numa perspectiva de ligações turísticas:Alitália – 24 milhões de passageiros transportados, 11.400 funcionários, 204 euros de custo médio por passageiro.
Air One – 5,2 milhões de passageiros transportados, 1.500 funcionários, 91 euros de custo médio por passageiro.
Eurofly – 1,6 milhões de passageiros transportados, 590 funcionários, 176 euros de custo médio por passageiro.
Meridiana – 4,1 milhões de passageiros transportados, 1.400 funcionários, 91 euros de custo médio por passageiro.
Blue Panorama – 850 mil de passageiros transportados, 430 funcionários, 236 euros de custo médio por passageiro.
Air Eagles – 1 milhão de passageiros transportados, 275 funcionários, 113 euros de custo médio por passageiro.
Provocar...
"Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro» dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos “ricos”. Aquilo que têm, não detêm. Pior, aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitariam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por os lançar a eles próprios na cadeia. Necessitariam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.
O maior sonho dos nossos novos-ricos é, afinal, muito pequenito: um carro de luxo, umas efémeras cintilâncias. Mas a luxuosa viatura não pode sonhar muito, sacudida pelos buracos das avenidas. O Mercedes e o BMW não podem fazer inteiro uso dos seus brilhos, ocupados que estão em se esquivar entre chapas muito convexos e estradas muito côncavas. A existência de estradas boas dependeria de outro tipo de riqueza Uma riqueza que servisse a cidade. E a riqueza dos nossos novos-ricos nasceu de um movimento contrário: do empobrecimento da cidade e da sociedade. As casas de luxo dos nossos falsos ricos são menos para serem habitadas do que para serem vistas. Fizeram-se para os olhos de quem passa. Mas ao exibirem-se, assim, cheias de folhos e chibantices, acabam atraindo alheias cobiças. O fausto das residências chama grades, vedações electrificadas e guardas privados. Mas por mais guardas que tenham à porta, os nossos pobres-ricos não afastam o receio das invejas e dos feitiços que essas invejas convocam.
Coitados dos novos ricos. São como a cerveja tirada à pressão. São feitos num instante mas a maior parte é só espuma. O que resta de verdadeiro é mais o copo que o conteúdo. Podiam criar gado ou vegetais. Mas não. Em vez disso, os nossos endinheirados feitos sob pressão criam amantes. Mas as amantes (e/ou os amantes) têm um grave inconveniente: necessitam ser sustentados com dispendiosos mimos. O maior inconveniente é ainda a ausência de garantia do produto. A amante de um pode ser, amanhã, amante de outro. O coração do criador de amantes não tem sossego: quem traiu sabe que pode ser traído. Os nossos endinheirados-às-pressas não se sentem bem na sua própria pele. Sonham em ser americanos, sul-africanos. Aspiram ser outros, distantes da sua origem, da sua condição. E lá estão eles imitando os outros, assimilando os tiques dos verdadeiros ricos de lugares verdadeiramente ricos. Mas os nossos candidatos a homens de negócios não são capazes de resolver o mais simples dos dilemas: podem comprar aparências, mas não podem comprar o respeito e o afecto dos outros. Esses outros que os vêem passear-se nos mal-explicados luxos. Esses outros que reconhecem neles uma tradução de uma mentira. A nossa elite endinheirada não é uma elite: é uma falsificação, uma imitação apressada. A luta de libertação nacional guiou-se por um princípio moral: não se pretendia substituir uma elite exploradora por outra, mesmo sendo de uma outra raça. Não se queria uma simples mudança de turno nos opressores. Estamos hoje no limiar de uma decisão: quem faremos jogar no combate pelo desenvolvimento? Serão estes que nos vão representar nesse relvado chamado “a luta pelo progresso”? Os nossos novos ricos (que nem sabem explicar a proveniência dos seus dinheiros) já se tomam a si mesmos como suplentes, ansiosos pelo seu turno na pilhagem do país. São nacionais mas só na aparência. Porque estão prontos a serem moleques de outros, estrangeiros. Desde que lhes agitem com suficientes atractivos irão vendendo o pouco que nos resta. Alguns dos nossos endinheirados não se afastam muito dos miúdos que pedem para guardar carros. Os novos candidatos a poderosos pedem para ficar a guardar o país. A comunidade doadora pode irás compras ou almoçar à vontade que eles ficam a tomar conta da nação. Os nossos ricos dão uma imagem infantil de quem somos. Parecem criancas que entraram numa loja de rebuçados. Derretem-se perante o fascínio de uns bens de ostentação.
Servem-se do erário público como se fosse a sua panela pessoal. Envergonha-nos a sua arrogância, a sua falta de cultura, o seu desprezo pelo povo, a sua atitude elitista para com a pobreza. Como eu sonhava que Moçambique tivesse ricos de riqueza verdadeira e de proveniência limpa! Ricos que gostassem do seu povo e defendessem o seu país. Ricos que criassem riqueza. Que criassem emprego e desenvolvessem a economia. Que respeitassem as regras do jogo. Numa palavra, ricos que nos enriquecessem. Os índios norte-americanos que sobreviveram ao massacre da colonização operaram uma espécie de suicídio póstumo: entregaram-se à bebida até dissolverem a dignidade dos seus antepassados. No nosso caso, o dinheiro pode ser essa fatal bebida. Uma parte da nossa elite está pronta para reallzar esse suicídio histórico. Que se matem sozinhos. Não nos arrastem a nós e ao país inteiro nesse afundamento".
Mia Couto
“Savana”, Maputo, 13 de Dezembro 2003
O maior sonho dos nossos novos-ricos é, afinal, muito pequenito: um carro de luxo, umas efémeras cintilâncias. Mas a luxuosa viatura não pode sonhar muito, sacudida pelos buracos das avenidas. O Mercedes e o BMW não podem fazer inteiro uso dos seus brilhos, ocupados que estão em se esquivar entre chapas muito convexos e estradas muito côncavas. A existência de estradas boas dependeria de outro tipo de riqueza Uma riqueza que servisse a cidade. E a riqueza dos nossos novos-ricos nasceu de um movimento contrário: do empobrecimento da cidade e da sociedade. As casas de luxo dos nossos falsos ricos são menos para serem habitadas do que para serem vistas. Fizeram-se para os olhos de quem passa. Mas ao exibirem-se, assim, cheias de folhos e chibantices, acabam atraindo alheias cobiças. O fausto das residências chama grades, vedações electrificadas e guardas privados. Mas por mais guardas que tenham à porta, os nossos pobres-ricos não afastam o receio das invejas e dos feitiços que essas invejas convocam.
Coitados dos novos ricos. São como a cerveja tirada à pressão. São feitos num instante mas a maior parte é só espuma. O que resta de verdadeiro é mais o copo que o conteúdo. Podiam criar gado ou vegetais. Mas não. Em vez disso, os nossos endinheirados feitos sob pressão criam amantes. Mas as amantes (e/ou os amantes) têm um grave inconveniente: necessitam ser sustentados com dispendiosos mimos. O maior inconveniente é ainda a ausência de garantia do produto. A amante de um pode ser, amanhã, amante de outro. O coração do criador de amantes não tem sossego: quem traiu sabe que pode ser traído. Os nossos endinheirados-às-pressas não se sentem bem na sua própria pele. Sonham em ser americanos, sul-africanos. Aspiram ser outros, distantes da sua origem, da sua condição. E lá estão eles imitando os outros, assimilando os tiques dos verdadeiros ricos de lugares verdadeiramente ricos. Mas os nossos candidatos a homens de negócios não são capazes de resolver o mais simples dos dilemas: podem comprar aparências, mas não podem comprar o respeito e o afecto dos outros. Esses outros que os vêem passear-se nos mal-explicados luxos. Esses outros que reconhecem neles uma tradução de uma mentira. A nossa elite endinheirada não é uma elite: é uma falsificação, uma imitação apressada. A luta de libertação nacional guiou-se por um princípio moral: não se pretendia substituir uma elite exploradora por outra, mesmo sendo de uma outra raça. Não se queria uma simples mudança de turno nos opressores. Estamos hoje no limiar de uma decisão: quem faremos jogar no combate pelo desenvolvimento? Serão estes que nos vão representar nesse relvado chamado “a luta pelo progresso”? Os nossos novos ricos (que nem sabem explicar a proveniência dos seus dinheiros) já se tomam a si mesmos como suplentes, ansiosos pelo seu turno na pilhagem do país. São nacionais mas só na aparência. Porque estão prontos a serem moleques de outros, estrangeiros. Desde que lhes agitem com suficientes atractivos irão vendendo o pouco que nos resta. Alguns dos nossos endinheirados não se afastam muito dos miúdos que pedem para guardar carros. Os novos candidatos a poderosos pedem para ficar a guardar o país. A comunidade doadora pode irás compras ou almoçar à vontade que eles ficam a tomar conta da nação. Os nossos ricos dão uma imagem infantil de quem somos. Parecem criancas que entraram numa loja de rebuçados. Derretem-se perante o fascínio de uns bens de ostentação.
Servem-se do erário público como se fosse a sua panela pessoal. Envergonha-nos a sua arrogância, a sua falta de cultura, o seu desprezo pelo povo, a sua atitude elitista para com a pobreza. Como eu sonhava que Moçambique tivesse ricos de riqueza verdadeira e de proveniência limpa! Ricos que gostassem do seu povo e defendessem o seu país. Ricos que criassem riqueza. Que criassem emprego e desenvolvessem a economia. Que respeitassem as regras do jogo. Numa palavra, ricos que nos enriquecessem. Os índios norte-americanos que sobreviveram ao massacre da colonização operaram uma espécie de suicídio póstumo: entregaram-se à bebida até dissolverem a dignidade dos seus antepassados. No nosso caso, o dinheiro pode ser essa fatal bebida. Uma parte da nossa elite está pronta para reallzar esse suicídio histórico. Que se matem sozinhos. Não nos arrastem a nós e ao país inteiro nesse afundamento".
Mia Couto
“Savana”, Maputo, 13 de Dezembro 2003
Programa desportivo
Sinceramente eu acho que os fazedores de progarmas desportivos na televisão, deviam ver os programas desportivo que a RAI 2 transmite, particularmente o do domingo à noite. Jogadores e treinadores de futebol em directo desde os estádios, estudio animado, público no estúdio, jornalismo de top, enfim, até quem não percebe italiano...entende o conteúdo do programa.
Udine (4)
Para a reunião da Comissão Permanente da CALRE, que decorre em Udine, domingo e segunda-feira, existem alguns assuntos interessantes em agenda: a eventual realização de uma iniciativa da Conferência dedicada ao Mediterraneo, o federalismo fiscal, as relações financeiras entre o poder central e os estados federais da Alemanha, a subsidiariedade, a Carta das Regiões da Europa e iniciativas agendadas para este ano e articulação Comité das Regiões-CALRE. Vamos a ver o que isto vai dar...Inveja...
Há coisas que me deixam uma inveja tremenda. Li hoje que a taxa de desemprego em Espanha caiu para 8,3% em 2006, anunciou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol. Segundo a edição on-line do El País, a taxa de desemprego no final do ano em Espanha é mesmo a mais baixa desde 1979, atingindo 1.810.000 pessoas. Segundo o Inquérito à População Activa (EPA) relativo ao quarto trimestre de 2006, o número de desempregados diminuiu em 30.600 pessoas. Em 2006 foram criados 687.600 postos de trabalho, o que faz com que o total de empregados no país terminasse o ano passado na casa das 20.001.800 pessoas, mais 3,56 por cento que no ano anterior.Em Udine (3)
A Comissão Permanente da CALRE integra o Presidente da Conferência, o alemão Peter Starub (Landtag von Baden-Württemberg), que já foi Presidente do Comité das Regiões, o anterior Presidente – Ricardo Nencini, Presidente da região italiana da Toscania/Florença– e um representante por cada um dos países membros da organização:·Gebhard Halder - Vorarlberger Landtag (Austria)
· Jean-François Istasse – Parlamento da Comunidade Francesa da Bélgica
· Barbro Sundback - Presidente do Palamento das Alands (Finlândia)
· Alessandro Tesini - Presidente do Consiglio Regionale della Regione Autonoma Friuli Venezia Giulia (Italia), e anfitrião desta reunião
· José Miguel Mendonça - Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (Portugal)
· Miguel Ángel Palacio Garcia - Presidente do Parlamento da Cantabria (Espanha)
· Dafydd Elis-Thomas - Presidente da Assmebleia National do Pais de Gales (Reino Unido)
A Comissão Permanente volta a reunião em 20 e 21 de Junho nas ilhas Åland, na Finlândia, seguindo-se a 13 e 14 de Setembro 2007, em Stuttgart a reunião que antecede a reunião plenária agendada para 21 de Outubro em Berlim
A CALRE reúne os parlamentos regionais da União Europeia com capacidade legislativa. Em total trata-se de 74 regiões de 8 países. Em conjunto estas regiões representam mais de 200 milhões de habitantes. Mais especificamente a CALRE é constituído pelos parlamentos das comunidades autónomas espanholas; os concelhos regionais italianos; as assembleias das regiões e comunidades belgas; os parlamentos dos Länder austríacos e alemães; o parlamento autónomo de Åland (Finlândia); as assembleias regionais dos Açores e da ilha da Madeira (Portugal); e as da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do norte (Reino Unido).
Embora com competências diferentes, trata-se cada vez de parlamentos regionais com duas características em comum: pertencem à UE e têm competência legislativa. Estas características conferem à CALRE uma forma de homogeneidade que é crucial para a determinação de objectivos comuns.
· Barbro Sundback - Presidente do Palamento das Alands (Finlândia)
· Alessandro Tesini - Presidente do Consiglio Regionale della Regione Autonoma Friuli Venezia Giulia (Italia), e anfitrião desta reunião
· José Miguel Mendonça - Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (Portugal)
· Miguel Ángel Palacio Garcia - Presidente do Parlamento da Cantabria (Espanha)
· Dafydd Elis-Thomas - Presidente da Assmebleia National do Pais de Gales (Reino Unido)
A Comissão Permanente volta a reunião em 20 e 21 de Junho nas ilhas Åland, na Finlândia, seguindo-se a 13 e 14 de Setembro 2007, em Stuttgart a reunião que antecede a reunião plenária agendada para 21 de Outubro em Berlim
A CALRE reúne os parlamentos regionais da União Europeia com capacidade legislativa. Em total trata-se de 74 regiões de 8 países. Em conjunto estas regiões representam mais de 200 milhões de habitantes. Mais especificamente a CALRE é constituído pelos parlamentos das comunidades autónomas espanholas; os concelhos regionais italianos; as assembleias das regiões e comunidades belgas; os parlamentos dos Länder austríacos e alemães; o parlamento autónomo de Åland (Finlândia); as assembleias regionais dos Açores e da ilha da Madeira (Portugal); e as da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do norte (Reino Unido).
Embora com competências diferentes, trata-se cada vez de parlamentos regionais com duas características em comum: pertencem à UE e têm competência legislativa. Estas características conferem à CALRE uma forma de homogeneidade que é crucial para a determinação de objectivos comuns.
Em Udine (2)
Desembarcar às 10 horas da noite em Trieste, com 1 grau negativo não é coisa que estejamos habituados. “Engole-se” mas com uma tremideira dos diabos, mas caramba, é um “briole” que chega ao tutano. Trieste e Udine são duas províncias da região de Friuli-Venezia Giulia que inclui as seguintes províncias:Província de Gorizia (25 comunas)
Província de Pordenone (51 comunas)
Província de Trieste (6 comunas)
Província de Udine (137 comunas)
Também chamada de Friul Veneza Júlia, a região tem 7.845 km² e 1,2 milhões de habitantes. A antiga capital do Friuli é Udine, cidade que já foi sede do patriarca de Aquiléia; a actual capital é Trieste. Centros importantes, além de Údine, são Pordenone, Cividale del Friuli, Codroipo, Latisana, Cervignano del Friuli e Sacile. A província de Trieste é uma província italiana da região de Friuli-Venezia Giulia com cerca de 240 000 habitantes, densidade de 1 132 hab/km². Está dividida em 6 comunas, sendo a capital Trieste. Estende-se ao longo de 30 km , fazendo fronteira a este com a Eslovénia e a sudoeste com o Golfo de Trieste (no Mar Adriático). Trieste é uma cidade do nordeste da Itália, no Mar Adriático, e comuna italiana da região do Friuli-Venezia Giulia, província de Trieste, com cerca de 209.520 habitantes. Estende-se por uma área de 84,49 km2, tendo uma densidade populacional de 2.479,8 hab/km2. Faz fronteira com as comunas italianas de Duino-Aurisina, Monrupino, Muggia, San Dorligo della Vallee Sgonico e com a Eslovênia .Trieste foi uma importante cidade do Império Austro-Húngaro, do qual era o principal porto.
Em Udine (1)
Com passagem por Trieste, estou em Udine, norte de Itália, nos confins deste país. Domingo e segunda-feira aqui terá lugar a reunião da Comissão Permanente da Conferência das Assembleias Regionais da Europa (CALRE), cuja presidência está entregue este ano aos alemães. Curiosamente, eles andaram anos a tentar “travar” a organização. Mas agora, subitamente, resolveram fazer o contrário, o que não deixa de ser estranho. A província de Udine é uma província italiana da região de Friuli-Venezia Giulia com cerca de 423 475 habitantes, densidade de 87 hab/km². Está dividida em 136 comunas, sendo a capital Udine. Faz fronteira a norte com a Áustria (Caríntia), a este com a Eslovénia e com a província de Goriziae a oeste com a província de Pordenone e com o Vêneto (província de Belluno e província de Veneza.




































