segunda-feira, outubro 12, 2015

Governo de esquerda? PS recupera Portas de 2011...

Afinal, a estratégia do secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, de formar um Governo com apoio parlamentar, mesmo depois de perder as eleições, não é assim tão original. Já em 2011 Paulo Portas, o líder do CDS-PP, dizia, num debate com Passos Coelho, que o mais importante para a formação do Governo seria a direita conseguir maioria absoluta — e não o PS ter mais votos. O vídeo desse debate foi agora reencontrado pela direção do PS – o posto a circular dentro e fora do partido, para reforçar a tese de Costa de que tem direito, agora em 2015, a ir para o Governo. O que dizia Portas, nesse debate de 2011? “A questão, depois de o Presidente da República ter dito que só dá posse a um governo com apoio maioritário, é saber como é que se forma uma maioria e uma maioria não se forma com o PSD com 40% e o CDS com 10%, também se forma e era bem melhor para o país com o CDS com 23,5% e o PSD com 23%”. O líder do CDS-PP deixou claro que na formação do Governo não era determinante se o PS tivesse mais votos, mas se direita teria maioria absoluta. Assim, governaria. O vídeo começou a circular depois de ainda esta semana, em entrevista ao Diário de Notícias, o eurodeputado centrista Nuno Melo ter dito que um governo PS, PCP e BE seria um golpe “PRECiano”. Mas Nuno Melo usa um argumento adicional, para além da existência ou não de uma maioria parlamentar – ao caso, a integração num bloco governativo do PCP e Bloco, contra o euro e anti-NATO. “Quando António Costa considera indispensável a clarificação das posições publicamente assumidas pelo PCP e pelo BE sobre a existência de condições para a formação de um novo governo com suporte parlamentar maioritário, obviamente denuncia a sua vontade de formar governo com PCP e Bloco, o que se traduziria numa rutura absoluta com o papel histórico do PS, abrindo a porta a uma extrema-esquerda, que entre outras coisas, não se revê no projeto da União Europeia e deseja a saída de Portugal da zona euro. Isso seria uma espécie de golpe de Estado “PRECiano”, afirmou Nuno Melo (Observador)
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