sexta-feira, outubro 20, 2017

Madeira autárquica-2018: como foram eleitos os mandatos nas Câmaras Municipais

Na sequência das posses das Assembleias Municipais, de quem dependem os executivos camarários, elaborei um quadro, reportando a algumas Câmaras Municipais, dos quais consta a eleição, por via da aplicação do método de Hondt dos diferentes mandatos. Estes quadros são elaborados com base nos resultados constantes da pagina oficial do MAI já que apesar dos esforços não tive acesso às actas de apuramento dos resultados finais nos diferentes concelhos da RAM. Reparem que nas Câmaras Municipais do Porto Santo e da Ponta do Sol não há maioria absoluta - ao contrário das restantes - o que implica a necessidade de acordos políticos para que os executivos funcionem.

Madeira autárquica 2018: os mandatos nas Câmaras e Assembleias Municipais

A propósito do que se passou hoje na Assembleia Municipal do Funchal, em que o PSD graças a entendimentos (pontuais?) com o CDS, com o MPT e provavelmente com um dos outros deputados municipais (PCP ou PTP) elegeu o Presidente da Mesa, Mário Rodrigues, deixando a Coligação de Cafofo e Rodrigo Trancoso do  Bloco apeados, e do que se passou na Ribeira Brava - onde o PSD facilitou a eleição do presidente da Assembleia municipal da coligação de Ricardo Nascimento - elaborei um quadro para que as pessoas percebam melhor do que falamos, quer nas Câmaras Municipais, quer nas Assembleias Municipais. Deste quadro constam ainda a totalidade dos mandatos nas Assembleias de Freguesia nos concelhos que escolhi para este trabalho. Lembro que os presidentes das Juntas de Freguesia são membros por inerência de funções das Assembleias Municipais.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Marcelo passou a ser um "primeiro-ministro paralelo"...

Se dúvidas existissem, hoje elas ficaram dissipadas: MRS assume-se como uma espécie de primeiro-ministro paralelo na questão dos incêndios. António Costa que tire o "cavalinho da chuva" porque o Presidente não vai dar descanso a este governo nesta matéria. Acho que nenhum dos ministros com ligações ao dossier incêndios, nas suas diferentes vertentes mas sobretudo o da recuperação, terá descanso. Acho que 2018 será decisivo para este governo da geringonça e que se este processo falhar o executivo de Costa vai cair por decisão presidencial. É uma suspeita. (fotos da SIC-Notícias)

Florestas e incêndios: Alguém me responde?

a) Gostava de saber quais as medidas que o anterior governo da direita tomou que penalizaram o combate aos incêndios e vulnerabilizaram a preservação da floresta, incluindo extinção de serviços ou de empresas públicas ligadas a estas duas áreas;
b) Alguém me sabe dizer quais as verbas orçamentadas pelo anterior governo da direita, de Passos e Portas, destinadas ao combate a incêndios e quais os montantes orçamentados desde 2016 pelo actual governo da geringonça na mesma rubrica?
c) gostava de saber que medidas tomou o anterior governo liberal de direita, de Passos e Portas, que beneficiaram o combate aos incêndios e aceleraram a preservação da floresta.

Desafio: que acções de formação tiveram os bombeiros das corporações das zonas mais afectadas?

Gostava de saber quais as acções de formação promovidas nos últimos cinco anos para ou pelas corporações de bombeiros, de todas, existentes nas áreas mais afectadas pelos incêndios deste ano. E sobretudo quais as acções de formação direccionadas para combates a incêndios florestais. Gostava de saber também qual o número de bombeiros existentes em cada corporação atrás referida, nesta data e no dia em que entrou em funções o anterior governo de direita de Passos e Portas.

Ex-secretário de Estado de Passos Coelho suspeito na Operação Marquês

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Sérgio Monteiro, antigo secretário de Estado no Governo de Passos Coelho, é suspeito num dos 15 novos processos autónomos da Operação Marquês. O Ministério Público desconfia que o antigo governante terá beneficiado um consórcio, que englobava o Grupo Lena, na construção e concessão do TGV.

Nome de Sócrates no inquérito europeu aos Panama Papers

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O nome de José Sócrates e o dinheiro que alegadamente recebeu do Grupo Espírito Santo surgem no relatório da Comissão de inquérito do Parlamento Europeu aos Panama Papers. O documento, que resulta de 16 meses de investigação dos eurodeputados, deixa recomendações aos governos em matéria de branqueamento e lavagem de dinheiro.

Portugal: recordando quem foram os primeiros-ministros e os ministros da administração interna e das florestas desde 1974!!

Fiz o que alguém devia ter feito. Quem foram os primeiros-ministros e os ministros das florestas e da administração interna nos governos nacionais desde 1974? Isto para quem gosta de falar de floresta, de combate a incêndios, etc.

I governo provisório (1974)

primeiro-ministro: Palma Carlos
ministro da administração intena: Magalhães Mota (PSD)
Ministros das Florestas: não havia

II governo provisório (1974)

primeiro-ministro: Vasco Gonçalves
ministro da administração intena: Costa Brás
Ministros das Florestas: não havia

quarta-feira, outubro 18, 2017

Especial CMTV: Uma escuta aqui, uma escuta ali (14 Outubro 2014)


CMTV: Os Esquemas de José Sócrates (Setembro 2017)


Sócrates irrita-se com jornalista: "essa pergunta é uma afronta"...


Entrevista de José Sócrates na RTP (13/10/2017)


SIC-Notícias: O Eixo Do Mal (14 Outubro 2017)


Eminem arrasa Trump nos Prémio BET

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É provavelmente o mais feroz ataque do rapper norte-americano Eminem contra o Presidente dos EUA, Donald Trump. O vídeo que Eminem decidiu levar aos Prémios BET de Hip Hop é uma sátira política em rima, que aborda vários temas quentes da atualidade norte-americana, como o protesto na primeira liga de futebol americano contra a discriminação racial ou a ajuda dos EUA a Porto Rico. Este já não é o primeiro vídeo de Eminem contra Trump, mas é o primeiro em que faz um apelo claro aos fãs e aos norte-americanos.

Venezuela. Oposição não aceita resultados oficiais das eleições para governadores

A aliança opositora venezuelana Mesa de Unidade Democrática (MUD) rejeitou os resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que dão conta de que o chavismo elegeu 17 dos 23 governadores nas eleições de domingo. Nem a Venezuela nem o mundo acreditam nesse conto que nos contaram. Solicitámos aos comandos regionais que verifiquem todo o processo, que se audite tudo, inclusive nos Estados em que candidatos da Unidade (oposição) foram declarados vencedores”, disse o porta-voz da MUD. Durante uma conferência de imprensa em Caracas, Gerardo Blyde explicou que a não aceitação dos resultados se deve a violações da lei cometidas durante o processo, centros eleitorais que não abriram na hora estabelecida e à falta de testemunhas. “Que se audite todo o processo. Pedimos também aos candidatos que programem ações nas ruas em respaldo ao que estamos a denunciar. Estamos num momento muito grave para a República e o país. Vamos lutar para mudar este sistema eleitoral”, disse.

Caracas denuncia plano da UE para atacar democracia venezuelana

O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, denunciou que a União Europeia está a preparar um plano para questionar os resultados das eleições regionais de domingo e atacar a democracia venezuelana. "Tal como advertimos, a UE e alguns dos seus Estados membros, subordinados a Trump (Donald, Presidente dos EUA) questionam a vontade do povo venezuelano", escreveu na sua conta na rede social Twitter. Segundo Jorge Arreaza "comprova-se assim o plano traiçoeiro e desesperado, concebido nas capitais europeias dias antes das eleições, para atacar" a democracia venezuelana. "Gostariam, na Europa, de contar com uma democracia real, onde os seus povos possam eleger livremente entre projetos realmente opostos", escreveu. Numa outra mensagem o ministro venezuelano refere-se à transparência e fiabilidade do sistema eleitoral da Venezuela.

A indignação de Sócrates....

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Sócrates acusou a RTP de “pretender um espetáculo” antes da entrevista...

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Passos esteve bem

Sou um crítico de Passos Coelho, sempre fui, acho que ele não deixa legado nenhum, acho que é o rosto de políticas das mais desumanas que alguma vez houve em Portugal - e nem a crise financeira nem a troika justificavam tanta insensibilidade e tanta falta de humanismo - além de que foi prejudicial para o PSD. Mas tenho que felicitá-lo pelas declarações feitas hoje em relação à demissão da ministra. Nada a dizer.

E a floresta? Já ninguém fala na floresta?

A ministra da Administração que se demitiu hoje, dois dias depois de afirmar que a sua demissão não iria resolver os problemas - embora a sua continuidade estivesse a fragilizar o governo de Costa, cego pelas sondagens... - fez o que afinal queria fazer depois de Pedrogão Grande e Costa não deixou.
O meu problema é que não entendo bem isto: a ministra agora demitida falhou porque a estrutura de combate aos incêndios é da sua responsabilidade e as suas escolhas falharam a começar por nomeados cujas licenciaturas foram aldrabadas e obtidas a martelo - a escola de Relvas!!!
Mas afinal quem é que falhou na questão da floresta? A ministra agora demitida? Não!
O ministro que tem a tutela sobre as florestas é um homem habituado a passar por entre os pingos da chuva, especialista espertalhão em sobreviver a todas as crises políticas no PS e que agora parece estar a querer colocar-se a um canto da sala enquanto assiste ao baile.
Portanto, o que tem a dizer o país ao ministro Capoulas dos Santos, Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural? Ou mesmo Miguel João de Freitas, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.
Afinal o debate que se tem realizado no país não é duplo? Não se tem ele centrado no falhanço dos dispositivos de combate aos fogos  e na protecção civil  mas também no que não foi feito e devia ser feito nas florestas? Não seria interessante desenvolver este tema centrado nos dois últimos anos em matéria de política florestal? (LFM)

Madeira: a remodelação e os juízos antecipados...

Tenho ouvido e lido, sobretudo lido, comentários sobre a remodelação operada no governo madeirense, que nem sequer entrou ainda em efectividade. Há mesmo quem avalie pessoas, se pronuncie sobre experiência, currículo, competência, perfil técnico e/ou político, etc. Não vou por ai, nunca fui, não vai ser agora. A maior desonestidade que se pode cometer é nos pronunciarmos sobre pessoas, sobretudo quando não as conhecemos. Creio que há neste momento algumas situações dessas. Um absurdo.
Qualquer remodelação de um executivo, seja ele qual for, é da responsabilidade de quem o lidera. Se as opções acertarem, vai certamente retirar ganhos disso, sobretudo eleitorais e políticos. Ser falhar obviamente que terá que agir em conformidade.
Mas não me fico por este chavão. Num governo há escolhas que são feitas pelos seus membros, escolhas pessoais, com as quais o líder do governo não tem rigorosamente nada a ver.  No caso concreto desses diferentes departamentos governamentais, se as coisas funcionarem muito bem, ganhamos todos, ganha a RAM. Se falharem, se se perceber que nem a estrutura funciona nem as pessoas escolhidas estiveram à altura das exigências, então nesse caso não podemos protelar o que tem que ser imediatamente resolvido. Doa a quem doer, custe o que custar.
Nestes momentos há uma coisa que se recomenda a todos: o benefício da dúvida (LFM)

O estranho erro de Costa

Eu acho estranho que um político experimentado como António Costa, que sempre viveu, e há muitos anos, da gestão mediática da sua imagem e da comunicação, tenha cometido um erro comunicacional tão grave como aquele que aconteceu na madrugada de terça-feira quando se dirigiu aos portugueses no âmbito da terrível noite dos incêndios que assolaram o nosso país.
O que ouvimos foi uma comunicação demasiado institucional, seca, distante das pessoas, sem novidades, repetindo argumentos e ideias pisadas e repisadas desde Pedrogão Grande, e que não conseguiu suscitar nas pessoas, a braços com dramas imensos, qualquer sentimento de gratidão, ligação ou mesmo atenção.
Costa foi estranhamente "desumano", distante das pessoas, indiferente ao facto do Estado ter falhado e de ele precisar, por isso, de ter a humildade de pedir desculpa aos mortos e a todos aqueles que perderam tudo ou quase tudo, devido às palermices do estado e ao falhanço de uma ministra que podendo ser, e dizem que é, boa pessoa, podendo ser, também garantem que sim, uma técnica competente, não revela qualquer perfil para a política e para o acto da governação. Além de que o falhanço de todo o sistema no combate aos incêndios é da sua responsabilidade.
Confesso a minha estupefacção por esta fragilidade de Costa em termos de comunicação política, porque é disso que falamos.

Moção de censura virada mais para PC e Bloco...

Desconfio que a moção de censura do CDS hoje anunciada - legítima - mais do que uma tentativa de Cristas, mais uma, para tentar liderar a direita - e o facto de levar o esfrangalhado PSD do moribundo Passo a reboque é disso a prova provada - ela pretende provocar um debate político mas sobretudo aposta na provocação os parceiros do PS na geringonça. Estou desejando de ver quais os argumentos que PCP e do Bloco utilizarão para votar contra a moção - facilmente se prevê que comunistas e bloquistas vão ficar amarrados a este governo do PS, deixando por isso - depois das derrotas eleitorais de ambos nas autárquicas - de julgar que enganam os portugueses quando fazem crer que estão com uma perna em cada margem do rio. Vai ser lindo seguir o debate. Se vai!

Santana Lopes, o oportunismo do costume

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Acho uma vergonha Santana Lopes - sempre oportunista - anunciar a candidatura ao PSD e continuar como comentador na SIC Notícias. Vergonhoso. Acho lamentável que a estação de televisão em causa não tenha tido a dignidade de ter tomado a decisão que ética e deontologicamente seria sempre a mais correcta quando Santana anunciou estar na corrida para o PSD. Basta MRS que foi eleito presidente graças aos comentários nas televisões. E que teve, depois de de eleito a suprema lata de vir comparar gastos com campanhas eleitorais com os seus adversários. Descaramento e falta de vergonha, Já chega de enlatados "made in TV". Felizmente - nota complementar - que ontem foi o último programa uma vez mais usado como tempo de antena para um candidato à liderança do PSD que devia ter deixado essa função de comentador no dia em que decidiu entrar na corrida.

Sábado o quê?

Já se percebeu que António Costa no conselho de ministros extraordinário de sábado vai analisar os dois relatórios sobre os incêndios e anunciar a tomada de medidas adequadas. Uma delas o pagamento imediato de indemnizações. Mas já de percebeu que ele vai ter que remodelar o governo, não apenas em termos de pessoas, mas em termos sobretudo de estrutura. Há pelo menos dois ministros com a cabeça na guilhotina. A floresta passou a estar na primeira página da agenda ao contrário do que antes acontecia. Foi preciso morrer quase 100 pessoas?

MRS acelera demissão...

Marcelo Rebelo Sousa foi igual a ele próprio. A comunicação feita ontem ao país mais do que recados e avisos ao governo e a António Costa, foi uma porta aberta para que a ministra da administração interna se demitisse no dia seguinte, o que realmente veio hoje a acontecer. MRS deve-se ter sentido o MRS da televisão, gerador de factos políticos, polémico, demagógico, mas sobretudo contundente e deixando um rasto de "destruição"...

segunda-feira, outubro 16, 2017

Os mistérios e as perguntas sem resposta a propósito do modelo do subsídio de mobilidade em relação ao qual o Estado devia ser mais exigente

Há uns tipos que sempre se fala nos escandalosos preços das viagens entre a Madeira e Lisboa - essa pouca vergonha que não passa de um roubo feito pela TAP levando a reboque as companhias privadas - misturam logo geringonça com laranjal e outras trampas do costume.
O problema é simples. 
1 - Os preços praticados pela TAP e a outra companhia privada nas ligações entre RAM e Lisboa são um roubo. Ponto. Inicialmente era apenas nalgunas épocas do ano, agora há uma tendência para se generalizarem para valores médios da ordem dos 350 euros.
2 - Não há regras de mercado coisa nenhuma a justofoicar esta situação, porque as empresas é que ditam essas regras em função dos seus interesses porque há alguém que deixa que isso acnteça. Se querem mamar sobem preços, se querem mamar mais devagarinho para não serem prejudicadas, baixam preços com medo da concorrência. 
Contudo, e neste caso da Madeira, não há alternativas para os madeirenses! Os continentais podem usar carro próprio, combóio, taxi ou vir a pé se quiserem, do Porto, Coimbra, Algarve a Lisboa. No nosso caso nem a nado chegamos lá.

domingo, outubro 15, 2017

As vuvuzelas intriguistas que vivem da manipulação e do insulto

Há uma coisa que me tem incomodado, ainda a propósito da remodelação do governo regional. Desconfio que andam por aí umas vuvuzelas intriguistas - o costume! - a passar para alguns meios de comunicação social informações (ou sugestões) selectivas, devidamente trabalhadas sabe-se lá onde, obviamente destinadas a usar e manipular a comunicação social, informações essas que tentam denegrir as pessoas envolvidas na dança de cadeiras, como que a tentarem justificar opções políticas que foram tomadas e estão devidamente assumidas publicamente por quem de direito - Miguel Albuquerque.
Aliás acho que essas fofoqueiras dos esgotos da política regional  não precisam de andar mais a denegrir seja quem for, porque as mudanças estão feitas - resta saber se terão ou não o efeito pretendido - e tudo estará consumado na terça-feira, com a posse
Mas há um outro lado da moeda, ainda mais obscuro, mais enterrado na porcaria dos esgotos políticos: a deliberada intenção de lançar a confusão, de denegrir publicamente algumas pessoas para provocar nestas um compreensível desnorte e uma irritação furiosa, alimentadas pela dúvida sobre as origens e propósitos de tais campanhas, ao ponto de as levarem a tomar decisões extremadas e vingativas que seriam desastrosas para quem as tomasse e que provavelmente - essas sim - teriam efeitos nefastos a vários níveis.
Por isso apelo não apenas ao cumprimento de regras deontológicas, mas à racionalidade na apreciação de determinadas situações mais melindrosas num dado momento (LFM)

sexta-feira, outubro 13, 2017

Sondagem: parece que alguém entendeu (tarde) esta realidade...

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Radiografia: A economia portuguesa à lupa

Os dados das Contas Nacionais por setor institucional do segundo trimestre confirma algumas das tendências do passado recente. O défice orçamental está a baixar e tudo aponta para que possa ficar abaixo da meta deste ano. A taxa de investimento das empresas está a recuperar, mas a um ritmo lento. As poupanças familiares estão em mínimos históricos. E o peso dos salários no PIB continua a crescer, mas mantém-se muito abaixo dos valores pré-crise (infografia de Mário Malhão, Jornal Económico)

Autárquicas 2017: um mapa mais cor de rosa

Últimas eleições autárquicas resultaram num resultado histórico para o PS, que pela primeira vez obtém mais de metade das presidências das câmaras municipais do país, sozinho ou numa lista de coligação (infografia de Mário Malhão, Jornal Económico)

Primeira sondagem pós-autárquicas: PS, BE e PCP sobem, PSD e CDS descem...

Em vésperas de orçamento, toda a esquerda regista subidas na intenção de voto. Popularidades de PM e líder do CDS crescem o mesmo. Passos regista um quarto do saldo que tinha há um ano. Os bons resultados de PS e CDS nas eleições autárquicas tiveram repercussão nas popularidades dos respetivos líderes: António Costa e Assunção Cristas, os dois vencedores da noite de 1 de outubro, veem os seus saldos crescer exatamente os mesmos 1,6% cada um no barómetro mensal da Eurosondagem para o Expresso e SIC. Maior variação, mas de sinal contrário, só na popularidade de Pedro Passos Coelho: o presidente do PSD (que já tinha assumido ir deixar o cargo, aquando da realização desta sondagem) decresce 3,6% em relação ao mês passado. O seu saldo é agora de 4,4% (45% menos do que os 8% que tinha em setembro), muito perto do valor mais baixo que registou desde que passou de primeiro-ministro a líder da oposição — 3,6% em dezembro de 2015. Mas é na comparação com o que tinha há exatamente um ano que a sua queda ganha outra expressão: em outubro de 2016, o seu saldo era quase quatro vezes superior (16,6%).

AMRAM e AMF: muita teoria mas falta o acordo total

As movimentações políticas de bastidores em torno da presidência da AMRAM-Associação dos Municípios da Madeira, apesar de poderem gerar uma espécie de "gerigonça à madeirense", está longe de estar garantida.
Segundo apurei, esta espécie de acordo para a liderança da AMRAM está ligado às movimentações ainda em, curso para que seja eleito para a presidência da Assembleia Municipal do Funchal uma personalidade da oposição, concretamente o médico Mário Rodrigues que liderou a lista social-democrata.
Apesar de existirem negociações, o acordo final estará longe de ser obtido.
Vamos desenvolver os dois assuntos.
Começando pela AMRAM.
A ideia do PSD - que no fundo tem sido o mentor destas movimentações - é juntar as Câmaras Municipais não socialistas - as 3 do PSD, Calheta, Câmara de Lobos e Porto Santo mais a Câmara de Santana, do  CDS - é impedir a eleição de Paulo Cafofo para a liderança da AMRAM.
O problema é que se é previsível que o líder da coligação funchalense consiga reunir os votos do Porto Moniz, Machico e Ponta do Sol - Câmaras associadas ao PS - e Santa Cruz, da JPP, continuam a faltar, aos dois lados, duas Câmaras que se encontram nas mãos de cidadãos, São Vicente e Ribeira Brava. É por elas que passará a solução. Para PSD e CDS o apoio de ambas daria os 6 votos em 11 necessários para ganhar e para que o autarca de Santana, Teófilo Cunha, seja eleito. Para os autarcas da esquerda, os dois eleitos em candidaturas de cidadãos, Ricardo Nascimento e José António Garcês, determinariam também os mesmos 6 votos necessários a garantir a eleição de Cafofo.
O acordo PSD-CDS passa ainda por esclarecer a composição do  Conselho Executivo da AMRAM já que não vemos que, para além de Nascimento e Garcês, também Pedro Coelho e Carlos Teles não integrem executivo.
Quanto à Assembleia Municipal do Funchal é uma questão de contabilidade de votos e de entendimentos políticos, embora o cenário me pareça muito mais complexo. Vejamos.
A Assembleia Municipal do Funchal é constituída por 33 eleitos - 15 da Coligação, 12 do PSD, 3 do CDS, 1 do  PCP, 1 do MPT e 1 do PTP. A estes juntam-se os presidentes das Juntas de Freguesia do  Funchal, 5 da Coligação (São Martinho, Santa Maria Maior, São Pedro, São Gonçalo e Imaculado  Coração de Maria) e 5 do PSD (Santo António, Sé, Santa Luzia,  São Roque e Monte). Isto significa que PSD e CDS, que parecem já ter um acordo, totalizam apenas 20 votos em 43, longe dos necessários para garantir a eleição do presidente da Assembleia Municipal.  Previsivelmente, e apesar das divergências entre alguns dos partidos mais pequenos e a coligação de Cafofo, não vemos muito sinceramente que tanto MPT de Roberto Vieira, como o PTP de José Manuel Coelho ou mesmo o PCP de  Edgar Silva - apesar de afastado do executivo da CMF - se coliguem ao PSD+CDS. Por isso, julgo que esta estratégia não deverá resultar. Como facilmente se depreende, basta que se façam contas... (LFM)

A remodelação pode provocar a alteração de 20% do grupo parlamentar do PSD-Madeira

Como? Muito simples.
Rubina Leal, que perdeu na corrida para a CMF, entrou na ALRM saindo Gualberto Fernandes que chegou a ser falado para a CM da Ponta do Sol, vendo-se afastado dessa eventual candidatura num processo ainda algo enigmático. Nivalda Gonçalves, derrotada na Ribeira Brava pela candidatura liderada por Ricardo Nascimento, regressou, saindo Claudia Gomes.
Parece que Eduardo Jesus já confirmou que vai voltar. Se o fizer sairá o atual deputado José Francisco Nunes. E se Sérgio Marques regressar ao parlamento regional, será a vez do ainda deputado Paulo Freitas devolver-lhe o lugar. Finalmente, embora não se saiba ainda se isso vai acontecer, caso o secretário-geral do PSD-M, Rui Abreu, decida assumir também o seu lugar de deputado - a exemplo do secretário-geral do PSD nacional - isso significará a saída de Marco Gonçalves.
Ou seja se estas movimentações se confirmarem todas, temos 5 regressos e 5 consequentes saídas, o que significa alterações em quase 20% da composição do atual grupo parlamentar social-democrata na Assembleia da Madeira. Uma curiosidade apenas.

quinta-feira, outubro 12, 2017

As direções regionais que dependem de Sérgio Marques

Com a nova estrutura do governo regional madeirense também Sérgio  Marques - que na realidade era o nº 2 do executivo ainda em funções apesar  de nunca ter ganho o estatuto de vice-presidente - decidiu, segundo o próprio, abandonar as funções governativas, prevendo-se que algumas direcções regionais se  mantenham sob a liderança de Amílcar Gonçalves e outras sejam distribuídas:
  • DRAECE - Direção Regional de Assuntos Europeus e Cooperação Externa - Bruno Pereira
  • DRPRGOP - Direção Regional de Planeamento, Recursos e Gestão de Obras Públicas - Ricardo Reis
  • DRAJ - Direção Regional da Administração da Justiça - Jorge Freitas
  • DRESC - Direção Regional do Equipamento Social e Conservação - Amílcar Gonçalves (novo secretário regional)
  • DRE - Direção Regional de Estradas - António Ferreira

Estas são as actuais direcções regionais das Finanças e da Economia

Caso a nova estrutura do governo regional madeirense se mantenha, e dado o movimento de titulares das pastas das Finanças e da Economia, sendo por isso de prever que venham a ser introduzidas alterações - porventura até juntando alguns departamentos - recordo quais são as direcções regionais, e titulares, que presentemente dependem de Rui Gonçalves e de Eduardo Jesus que não farão parte do próximo gabinete de Miguel Albuquerque:

Finanças
  • AT-RAM - Autoridade Tributária e Assuntos Fiscais da Região Autónoma da Madeira - Lina Maria Ferraz Camacho Albino 
  • DRPaGeSP - Direção Regional do Património e de Gestão dos Serviços Partilhados - Hélder Heliodoro Pinto Correia Fernandes 
  • IRF - Inspeção Regional de Finanças - Lucilina Vitória Spínola Sousa 
  • DROT - Direção Regional do Orçamento e Tesouro - Duarte Nuno Nunes de Freitas
  • DREM - Direção Regional de Estatística da Madeira ­- Paulo Jorge Baptista Vieira
  • DRAPMA - Direção Regional da Administração Pública e da Modernização Administrativa - Ana Isabel Teixeira da Fonte Luís Jardim 

Turismo

  • DRT - Direção Regional do Turismo - Kátia Carvalho
  • DRC - Direção Regional da Cultura - Natércia Xavier
  • ARAE - Autoridade Regional das Atividades Económicas - Rogério de Andrade Gouveia
  • DRET - Direção Regional da Economia e Transportes - Isabel Catarina Rodrigues
  • DRIVE - Direção Regional da Inovação, Valorização e Empreendedorismo - Jorge Vale Fernandes

Televisão: jornalistas usados por advogados e políticos e comentadores beneficiados do espaço mediático

Muito sinceramente eu acho que é tempo dos jornalistas darem um murro em cima da mesa - se é que ainda há dignidade para isso. Um conferência de imprensa é um diálogo, não um monólogo. Se querem divagar, se querem perorar idiotices, se querem apenas divulgar comunicados sectários que não passam da visão sectária  de advogados e acusados, enviem a papelada para as redacções que depois serão objecto de tratamento jornalístico.
Transformar os jornalistas em sopeiros, repito, de sopeiros, de vaidades pessoais, de caganças sociais, de manipulações disfarçadas (mal) e de ambições mediáticas - aliás na política é o mesmo - isso é um insulto. Espanta-me que os jornalistas, perante as repetidas situações, e apesar da complexidade e da precariedade existente no sector nos dias que correm - eu sei isso tudo - continuem aceitando pacificamente fazer esse papel ridículo de meros sopeiros, repito e insisto, de sopeiros, de políticos, advogados, banqueiros, seja quem for.
Outra questão: desafio os meios de comunicação sobretudo as televisões, a deixarem de dar espaço a advogados que usam essa projecção mediática em seu benefício e dos seus gabinetes. Encher a pança com milhões como acontece em Lisboa com vários gabinetes de advogados - tudo a reboque de participações em programas de televisão ou da presença como comentadores (quase exclusivos) sempre que a justiça é debatida, é uma vergonha que pode revelar uma estranha cumplicidade entre jornalismo e advocacia, pelo menos alguns dos gabinetes mais conhecidos, propriedade de alguns dos mais mediatizados advogados. Os efeitos disso? Nas facturas finais dos trabalhos...
As televisões que passem a usar jornalistas dos seus quadros licenciados em direito, facilitem a sua valorização profissional e e especialização em áreas mais necessárias da advocacia e certamente que tudo mudará de figura.
Até nos programas desportivos são os advogados a terem espaço exclusivo, durante anos, com vantagens pessoais e profissionais inegáveis, além do que as televisões lhes pagam. E não é nada pouco, podem acreditar
O caricato de tudo isto é que basta vermos também programas de economia nas televisões e o problema é o mesmo, neste caso por vezes com a cumplicidade de  jornalistas competentes, licenciados em economia ou finanças e que não precisam de bengalas para mostrarem o que sabem e ganharem credibilidade.
Serás que as televisões poderiam divulgar a lista de todos os seus comentadores e colaboradores permanentes externos e de quais as personagens que são sempre convidadas para comentários em estúdio, tudo isto em função do tema em análise? Seria interessantíssimo. Garanto que sim. (LFM)

quarta-feira, outubro 11, 2017

Ânsia de protagonismo televisivo? Só?

Hoje achei piada numa coisa. Piada, salvo seja, porque este caso suscitaria uma discussão quer sobre os critérios das televisões quanto à opinião específica em determinadas matérias, quer sobre a ânsia demonstrada por certos indivíduos em terem mediatismo televisivo, provavelmente pelo que de vantajoso daí resulta, não sei. Um conhecido advogado, esteve no Canal 3 da RTP a perorar sobre o caso Sócrates. Hora e meia depois, o mesmo estava sentado no estúdio da SIC para perorar sobre o mesmo tema. Será que mais ninguém pode emitir opinião nalgumas televisões sobre determinadas assuntos em concreto? Curioso este poder de multiplicação. Só não sei se também foi à TVI...

As dúvidas (orgânicas e outras) que a remodelação me deixa

Depois de um primeiro comentário feito aqui sobre a remodelação do executivo regional, e depois de ter percebido devidamente a nova estrutura orgânica agora proposta e lidas diversas declarações proferidas por governantes -que terão sido dispensados ou se dispensaram - ficam-me dúvidas quanto a algumas questões, as quais que não passam de opiniões pessoais:
- O presidente do PSD-Madeira reuniu a Comissão Permanente do partido ou vai reunir, ou o partido foi dispensado de se pronunciar neste processo?
- Há declarações feitas à margem este processo que tal como eu previa - escrevi isso no primeiro comentário - rapidamente alimentaram histórias de bastidores que vão certamente mobilizar as atenções dos média, declarações essas que precisam de ser cabalmente esclarecidas;
- O processo de remodelação foi pacífico ou deixou marcas políticas e pessoais, dado que não podemos esquecer que existe uma maioria absoluta de apenas um deputado no parlamento regional e que há membros do governo agora dispensados (ou que se dispensaram) que podem reassumir os seus lugares. Desculpem-me a franqueza mas as coisas têm que ser ditas;
- A orgânica das demais secretarias regionais, nas quais não houve mudanças, são as adequadas e funcionam eficazmente e sem obstáculos? Por exemplo, e num meio tão pequeno e específico como o nosso, será que a tutela sobre a agricultura e a água de rega pode estar em departamentos diferentes? Se calhar até faz sentido e quem não percebe patavina disto sou eu;
- Se é Pedro Calado quem passou a ter a responsabilidade pela coordenação política do governo (pensava eu que isso era tarefa de quem lidera um executivo), como é que a pasta dos assuntos parlamentares está nas mãos de outro membro do Governo (Educação)? Haverá por acaso, quando se fala em política e governação, área em que a coordenação seja mais política é mais necessária, por múltiplas razões, que os assuntos parlamentares? Politicamente passa muita coisa pelo parlamento hoje em dia, muito mais do que acontecia no passado.
Na perspectiva das regionais, legislativas nacionais e europeias de 2019, alguém duvida que a Assembleia Legislativa e a rua - através da comunicação social - serão os dois palcos privilegiados do combate político regional e, portanto, é aqui que toda a coordenação política, seja ela qual for, deve estar concentrada.
Repito, estas minhas dúvidas nada têm a ver com as aptidões políticas de Jorge Carvalho, bem pelo contrário. Tem a ver apenas e só com a nova estrutura orgânica;
- Crescem também dúvidas sobre a possibilidade de Pedro Calado poder ficar a braços com uma super-pasta e que isso origine dificuldades funcionais. Feitas rapidamente as contas e considerando os serviços hoje dependentes da Economia e das Finanças - salvo se novas mudanças forem feitas - estamos a falar entre 15 a 20 direcções regionais, serviços, institutos públicos, etc.
A área das finanças por si só é desgastante e vai criar problemas complexos até final do mandato. A economia tem desafios pela frente e processos negociais que exigirão muito de quem tutelar o sector. Embora acredite nas capacidades das pessoas, na competência, na experiência e nas suas boas intenções, o pior que poderia acontecer seria constatar-se, a curto prazo, que afinal a nova orgânica não funciona e que precisa de ser de novo alterada.
Recomendo que esta questão orgânica seja discutida e devidamente ponderada porque há factores que não podem ser desvalorizados, sob pena de tudo isto se virar depois contra quem decidiu (LFM)

Nova composição do Governo madeirense

Será esta a futura composição do XII Governo da Região Autónoma da Madeira:
- Presidente do Governo – Miguel Filipe Machado de Albuquerque
- Vice-Presidente do Governo – Pedro Calado (com as áreas das Finanças, da Economia, dos Transportes e com a coordenação política)
- Secretaria Regional do Turismo e Cultura – Paula Cabaço (Turismo, da Cultura e Assuntos Europeus)
- Secretaria Regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais – Rita Andrade (Inclusão, Assuntos Sociais, Habitação)
- Secretaria Regional da Educação – Jorge Carvalho (Educação, Juventude, Desporto, Assuntos Parlamentares e Comunidades)
- Secretaria Regional da Agricultura e Pescas – Humberto Vasconcelos (Agricultura e  Pescas)
- Secretaria da Saúde – Pedro Ramos (Saúde e Proteção Civil)
- Secretaria Regional do Ambiente – Susana Prada (Ambiente, Florestas e Mar)
- Secretaria Regional dos Equipamentos e Infraestruturas – Amílcar Gonçalves (Infraestruturas e Equipamentos)

Nota: o sector das Comunidades Madeirenses que era tutelado por Sérgio Marques, passa para o titular da Educação enquanto que os Assuntos Europeus foram anexados à pasta do Turismo)

Madeira: Albuquerque anuncia remodelação governativa

Uma remodelação de governo em plena legislatura, resulta sempre da confluência de vários factores que de uma forma ou de outra, uns mais do que outros, a justificam e determinam. E podem não ser motivos políticos ou eleitorais apenas.
Uma remodelação deve sempre resultar da decisão do próprio chefe do governo, seja ele nacional ou regional. Neste caso Miguel Albuquerque remodelou depois das autárquicas, não apenas porque houve uma clara fragilização eleitoral - não vamos discutir as causas próximas disso nem a sua vigência temporal  que pressuponho efémera - e provavelmente porque a meio do mandato sentiu que havia necessidade de fazer não apenas um "refresh" mas provavelmente um "upgrad". 
Miguel acaba por chamar nesta mudança dois antigos companheiros do último executivo camarário - Pedro  Calado, membro da Comissão Política  Regional do PSD, que sempre foi o homem forte da equipa do actual chefe de governo enquanto autarca, e Amílcar Gonçalves, que era director regional de Sérgio Marques, integrou a lista de Rubina Leal em posição de destaque e que também integrou nos últimos anos do mandato a equipa executiva de Albuquerque na CMF. Presumo que Amílcar Gonçalves é essencialmente um técnico, identificado com as áreas de passará a tutelar. A verdade é que também não se espera grande protagonismo político nos sectores que vai liderar
Surpresa a ascensão de Paula Cabaço, antiga presidente do IBVM cuja promoção, na minha opinião, pode ser entendida como uma escolha fora do "sistema" e dos inúmeros interesses que se cruzam, impedindo assim fraccionamentos num departamento governamental - turismo - que não se compadece nem com vaidades pessoais nem eventuais com guerras de protagonismos entre quem for. Paula Cabaço tem experiência do que é o contacto com mercados, sabe o que é fazer promoção só que em vez do vinho e do bordado terá agora pela frente uma área de intervenção bem, mais vasta, a do turismo, além de que terá que lidar com um sector em alta, mas que tem especificidades próprias, que depende muito de factores exógenos,  dado que tem dependido também e muito da conjuntura internacional e da instabilidade nalgumas partes do mundo que geraram uma mudança de rotas no fluxo turístico europeu.
Esta remodelação acabou por gerar a saída de três governantes - Rui Gonçalves, Sérgio Marques e Eduardo Jesus que aparentemente eram os executivos mais fortes na equipa cessante, logo depois de Albuquerque. Este facto pode eventualmente alimentar histórias que, sim ou não, e com o tempo, podem ser suscitadas, sobretudo na e pela comunicação social. Gonçalves tomou a iniciativa dias depois das eleições, Eduardo Jesus poderia estar eventualmente fragilizado devido ao impasse nalguns dossiers que repetidamente eram (serão) usados pela oposição,casos do ferry e do modelo do subsídio de mobilidade em vigor. Sérgio Marques que na realidade era uma espécie de nº 2 acaba por ser uma surpresa, embora olhando à estrutura governativa hoje anunciada, era clara a total incompatibilidade entre a sua continuidade e a chegada de Pedro Calado.
Finalmente a questão concreta de Pedro Calado que acaba por ser o elemento que sai mais reforçado de toda esta mudança.
Em situações normais, os chamados nº 2 de qualquer governo chamam a si a responsabilidade de algumas, poucas, pastas, predominando uma delas. No caso concreto, Calado aparece hiper-carregado de tutelas na nova estrutura governamental, acrescido ainda da  questão política, sabendo-se, como se sabe, que depois dos resultados autárquicos esta foi uma matéria colocada em evidencia em várias frentes. O problema, ou não, é que Pedro Calado parece ter ficado com áreas demasiado pesadas e, responsabilidade que lhe vão exigir muito. Finanças e Economia - que continuo a pensar serem os pilares da governação regional porque em função delas podemos reunir recursos para outras áreas de intervenção governativa, nomeadamente as sociais - exigem muito e pode sobrecarregar Pedro Calado.
Acresce que tendo a coordenação política, Pedro Calado deixa de lidar com o parlamento regional e com a "praxis" do governo regional de ter uma relação institucional, normal e regular, facto que aparentemente não deixa de constituir uma contradição, sem gravidade. Mas complexa, porque a coordenação política do relacionamento entre os membros do governo e o parlamento, nomeadamente processo legislativo, debates, presenças em comissões, etc fica num membro do Governo e não no coordenador politico. Prevejo que possam surgir algumas dificuldades nesta gestão deste sector em concreto.
Penso que o segredo do novo Vice será o de escolher directores regionais com reconhecida operacionalidade, da sua confiança pessoal, que tenham competência técnica para as diferentes áreas a preencher. Se conseguir isso, se reunir uma equipa operacional, politicamente eficaz, tecnicamente competente, Calado terá todas as condições para descentralizar e dedicar-se mais a áreas que vão exigir mais dele do que outras (LFM)

SIC-Notícias: O Dia Seguinte (09 Outubro 2017)


SIC-Notícias: Play Off (08 Outubro 2017)


SIC-Notícias: O Eixo Do Mal (07 Outubro 2017)


SIC-Notícias: Quadratura do Círculo (05 Outubro 2017)


Afinal Fernando Pinto diz que não está para breve a sua saída da TAP...

Já hoje foi noticiado que Fernando Pinto disse hoje em Matosinhos que não está para breve a sua saída da presidência da TAP, numa declaração à margem da apresentação do programa "Taste Porto". Questionado pela Lusa se o "crescimento para o Porto da TAP” que acabara de anunciar seria conseguido ainda consigo ao leme, o presidente da transportadora aérea nacional foi curto na resposta.
"A empresa vai continuar a crescer, não tenho dúvida nenhuma disso, e em breve iremos ter novidades, como também posso dizer que em breve não irei sair", declarou Fernando Pinto, que desde o verão passado é dado como de saída da TAP. O programa "Taste Porto" agrega uma série de iniciativas dedicadas ao Porto, tendo o responsável afirmado que "todo o trabalho feito é para divulgar a cidade, a região, criar cada vez mais atratividade, sendo que o Porto acabou de ser considerada a cidade mais atrativa da Europa".

Garante o Sol que Fernando Pinto à beira de passar testemunho na TAP....

Há 17 anos na administração da transportadora portuguesa, completou este mês 68 anos. E já tem sucessor. Fernando Pinto entrou para a TAP em outubro de 2000. Objetivo? Preparar a empresa para a privatização. Depois disso, foram necessários dez anos para o presidente da companhia aérea nacional fazer saber que tinha informado o Governo de que pretendia deixar a liderança da transportadora. No entanto, ainda não tinha, afinal, chegado a hora. E manteve-se. Agora, são cada vez mais os sinais na companhia nacional de que desta vez é que é: Fernando Pinto estará finalmente de saída. O próprio CEO da empresa fez saber, em junho deste ano, que cumpriu «a missão» que o trouxe a Portugal. Quando questionado sobre o seu futuro na nova administração, Fernando Pinto deixou claro que o cargo de CEO «depende totalmente dos acionistas». Recorde-se que Miguel Frasquilho, ex-presidente do AICEP, foi anunciado como novo presidente do Conselho de Administração e como vogais ficaram Lacerda Machado e Ana Pinho. Mas, entretanto, entrou também para o conselho de administração o ex-CEO da Azul Antonoalvo Neves, que todos apontam como preferido dos acionistas (é homem de confiança de Neeleman) para suceder a Pinto como presidente executivo.

Denúncia do Sol: Neeleman esvazia TAP

O Governo é maioritário, mas quem manda são os privados e quem mais ganha é a companhia brasileira de David Neeleman, Azul, que viu finalmente as contas levantarem voo.  Decisões de partilha de rotas e mudanças na administração têm causado tensão à esquerda. Existe cada vez menos espaço a separar a TAP da brasileira Azul. A aproximar as duas companhias está, desde cedo, o facto de haver um nome em comum: David Neeleman, que é sócio na transportadora portuguesa e dono da companhia brasileira. As mudanças na velha transportadora nacional beneficiaram, desde sempre, a companhia do empresário. Em janeiro de 2016, a Azul começou por fornecer aviões à TAP, a preço de mercado – foi anunciada uma frota de 17 novos aviões fornecidos pela Azul, em regime de leasing, numa operação avaliada em 400 milhões de euros –, quando as aeronaves estavam com baixa atividade no Brasil. No entanto, os lucros deste casamento não ficaram por aqui. Rapidamente, começaram a multiplicar-se oportunidades para Neeleman, que tem visto as contas da Azul melhorar desde que ganhou a privatização da companhia portuguesa num consórcio com Humberto Pedrosa.

terça-feira, outubro 10, 2017

Bandalheira total

Não me incomoda nada o que acontece ou não na TAP, porque estamos a falar de uma empresa que só a fingir é publica. O governo da geringonça reverteu a privatização apressada e feita a coice e pontapé por Passos e Portas, apenas para fazer a vontade aos parceiros da esquerda que querem continuar a manter influência sindical. Na realidade isso foi feito mas a verdade é que a gestão continua a ser privada e as patifarias - como a notícia do Sol - continuam. O que me incomoda e espanta é que governo geringonçal, alegadamente "dono" da TAP, porque a empresa voltou a ter 51% do seu capital nas mãos do estado, pura e simplesmente se borrife para o assunto e nem exija explicações. Assim como ninguém comenta, ninguém desmente, ninguém questiona. Ou seja, bandalheira absoluta.

segunda-feira, outubro 09, 2017

Irritam-me alguns neoliberais da treta

Irritam-me, confesso, uns tantos idiotas iluminados que conspurcam a nossa praça que acham que não se pode falar em aumentar o rendimento disponível das pessoas, como se isso fosse um crime e como se lhes interessasse que alguns continuassem com as migalhas enquanto outros, uma minoria de chulecos capitalistas, arrecadam a parte principal do panelão sem que isso incomode minimamente.
Ou será que são os pobres e os que menos rendimentos têm que fogem aos impostos e andaram (andam) envolvidos nas patifarias da banca e nas aldrabices que o sector bancário alimentou durante décadas? Devem ter sido eles, olé se devem...
Se eu acho que a política ainda serve para alguma coisa é exactamente para que ela assuma o compromisso de combater os neoliberais da merda, de garantir desigualdades sociais, de proteger os mais fracos e vulneráveis, de pugnar pela justiça social e garantir a melhoria das condições de vida a quem não tem emprego, não tem saúde, não tem habitação, não tem acesso à educação, não tem rendimentos disponíveis dignos, etc. Se for para ignorar isso e andar a defender os poderosos e os mais ricos, então melhor será rebentar a política nem que seja à bomba.
Hoje ouvi um comentador iluminado da televisão - que esconde a sua verdadeira formação neoliberal radical a que se junta um convencimento idiota determinado por uma vaidade pessoal e pela ânsia de protagonismo - sustentar que é preciso sim, não aumentar o rendimento das pessoas,  mas antes diminuir o IRC, porque quanto melhores empresas tivermos, mais emprego existirá e melhores salários serão pagos. Uma gargalhada! Ora eu nem comento isso, porque na realidade é sabido o nível salarial vergonhoso que existe em Portugal, a exploração de mão-de-obra, as pressões, o assédio ameaçador, a precariedade, etc, tudo um universal real de podridão que desmente essa treta de que o IRC é que sim senhor, nada a opor.  Mas sem nunca impedir que outras medidas sejam tomadas para que as pessoas tenham mais rendimento e mais dignidade social. E tudo isto acontece, no universo laboral nacional, com a garantia de silêncio forçado, porque quem ousar falar atreve-se a ser posto a andar dada a sua precariedade. Portanto, que se lixem esses pensadores neoliberais da treta. Deixem de chatear as pessoas. O neoliberalismo protofascizante em Portugal foi o que foi e felizmente teve o epílogo que tinha que ter. Perguntem ao PPC e outros que andaram com ele se não lhe meteram o neoliberalismo num sítio que eu cá sei...

NOTA: Cuidados redobrados e muito Sun Tzu...

Alguém escreveu um dia que "conviver com amigos falsos é o mesmo que conviver com cobras sabendo do veneno delas".
Espero, a propósito, que a evolução da situação política regional aponte na direcção correta e que assente em opções que sejam as mais adequadas ao momento
Qualquer remodelação só precisa ser feita desde que seja para que tudo melhore. Para continuar tudo na mesma, mesmo que façam alguns retoques que não passam de maquilhagem se reles categoria, melhor será que não façam nada.
Espero e desejo que essas decisões saiam obrigatoriamente da decisão do próprio líder - os líderes precisam de impor-se nos momentos de aparente fragilidade, ou serão derrubados a prazo - ignorando "ajudas" e sugestões de quem o quer derrubar. Não duvidem disso!
Não quero acreditar, até porque acho que a especulação é inevitável nestes momentos de indefinição e de hesitação, em cenários que me têm sido sugeridos ou dados como "decididos", porque mais do que fragilizar quem não pode nem deve ser fragilizado, apenas dariam espaço de manobra a quem pretende fragilizar o líder, ajustar contas com ele e deliberadamente o derrubar.
Sun Tzu escreveu (Arte da Guerra) que "se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...".
Faço votos para que Miguel Albuquerque - vamos entrar numa semana decisiva e de decisões - saiba gerir estes tempos agitados com inteligência, sabedoria e sobretudo separando as coisas, estabelecendo a diferença entre aquela que deve ser, tem que ser, a sua perspectiva e a sua decisão política, e aquilo, tudo aquilo, que eventualmente agradaria a diferentes grupos de interesses e de pressão que seguem atentos. Aliás, garantem-me a pés juntos, têm-se multiplicado essas movimentações, algumas delas bem estranhas, pelas ramificações, quase todas fora do contexto partidário e mesmo governativo, o que mostra haver muita gente a querer meter colher no panelão, facto que por si só justifica cautelas redobradas. Situações que me levam a crer que afinal não estamos a falar, pelo contrário, de nada que seja inocente.
Lembro finalmente, e sem mais, uma vez mais o general Sun Tzu: “Quando o comandante demonstrar fraqueza, não tiver autoridade, as suas ordens não forem claras e os seus oficiais e soldados forem indisciplinados, o resultado será o caos e a desorganização absoluta” (LFM)

sábado, outubro 07, 2017

O regresso do "escritor" belicista...

Segundo o Expresso, "José Sócrates escreve sobre a utilização dos drones na guerra em “O Mal que Deploramos”, terceiro livro desde que deixou o Governo. O principal arguido da Operação Marquês — a acusação deverá ser conhecida dentro de um mês — nota que a nova arma trouxe novas psicopatias e que, apesar dela, o Ocidente está a perder este combate. O acorde inaugural teve sessenta palavras. Assim começou a guerra mais longa dos Estados Unidos, que parece não ter limites — nem nos inimigos, nem no tempo, nem na geografia. A guerra contra o terror dura há quinze anos: guerra sem campo de batalha, guerra clandestina, guerra sem prazo"